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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Sobre o dia internacional do blog

 

No último dia do meu querido mês de agosto celebra-se a existência de uma plataforma muito especial e que, de certa forma, veio revolucionar o mundo.

Sim, hoje é o Dia Internacional do Blog!

Apesar de já fazer parte desta comunidade há algum tempo, o Pill Of Words surgiu há menos de um mês. Posso dizer-vos que, surpreendentemente, já fui muito feliz na blogosfera. Conheci pessoas que, atualmente, fazem parte do meu dia-a-dia, li publicações que me tocaram profundamente e recebi comentários que me deixaram a sorrir para o ecrã.

O mundo virtual tem muitas vantagens e desvantagens.

Perdão

 

          - Um centavo pelos teus pensamentos.

A voz amena surgiu acompanhada pelo toque leve de uma mão que agora pousava, subtilmente, sobre os ombros justos da loira de olhos cor de mel.

O homem alto torneou as linhas do banco de jardim e sentou-se junto daquela figura misteriosa, envolta em vidas passadas e premonições futuras.

Estava escuro e reluziam ao longe pequenas fachadas de néon. O ar abafado enfatizava o cheiro nauseabundo da massa das farturas imersa em óleo vegetal e, de frente para o lago iluminado pela alvura da lua cheia, dilaceravam-se uns olhos paulatinamente.

Os suspiros tornavam-se audíveis, iam de encontro ao peito do recém-chegado como passarinhos extraviados em busca de uma asa afeita que os protegesse.

 

 

"Soft-skills"

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Neste segundo ano de faculdade decidi que queria integrar novos projetos e participar em mais eventos que, de algum modo, contribuíssem para o meu conhecimento.

Acredito que é esta a altura certa para nos envolvermos em diferentes iniciativas e explorarmos as nossas capacidades e preferências em cada uma delas. Enquanto somos estudantes temos ao nosso dispor oportunidades que, enquanto profissionais, certamente não teremos. Somos jovens, temos a liberdade e as ferramentas necessárias para nos expormos a novos desafios e para, de certa forma, nos conhecermos melhor.

Confesso que a carga horária do meu curso acaba por limitar um pouco o meu envolvimento em diferentes projetos, contudo considero a preguiça e o comodismo limitações ainda mais difíceis de contornar.

 

 

Maestrina

 

O céu estava sem forma, pintado por um cinzento claro e baço. Proeminentes, permaneciam os troncos de uma ramada descoberta pelas vicissitudes de um outono caduco.

O contraste permitiria, certamente, que o olhar se detivesse no estendal perfeitamente alinhado com a interface de duas tonalidades distintas.

Ela tinha parado: suspensa no tempo, embebida pela incerteza de existirem flores para lá da intensa neblina. E a noite ainda há pouco era criança, mas ela já via de outra forma a claridade.

 

 

Lançamento da semana #2

 

Esta semana foi difícil de eleger o “lançamento da semana”.

Tivemos novidades, há muito esperadas, de bandas como os Thirty Seconds To Mars, que nos trouxeram uma forte crítica política e social com a sua nova música "Walk On Water". A mensagem é evidente: “Times are changing!” E será que nós ainda acreditamos que podemos caminhar sobre a água?

 

 

Cartógrafa

 

O cheiro da terra molhada apoderava-se de todos os meus sentidos à medida que, cuidadosamente, descia a colina através de um carreirinho estreitamente bem desenhado, delimitado por marcos de pedra minuciosamente recortados pelo vento.

As nuvens moviam-se devagar e o meu cabelo unia-se por pequenas gotículas de um orvalho praticamente extinto.

Tinha uma mochila a cobrir-me as costas e uma vara de madeira robusta a acompanhar-me as passadas. Um mapa entrelaçado nos dedos e uma adrenalina aprazível a despontar pelo ventre.  

Era o mundo em vista por descobrir, o realizar do maior de todos os projetos: cartografar-me!
De olhos erguidos e corpo firme, segui o meu caminho sem destino: até onde o coração quisesse levar os pés, até onde os pés quisessem levar a alma.

E deixei de ter medo.

"Estou Além"

"Estou bem

Aonde não estou

Porque eu só quero ir

Aonde não vou"

 

A melodia ecoava porta fora. Na rua do Rosário, as pombas depenicavam alguns bijus ressessos. A bica de água, imprópria para consumo, tinha um aviso que desapontava os transeuntes, enquanto duas ciganas se aproximavam para lhes ler a sina.

Tantos irmãos invejosos, companheiros infiéis e doenças a caminhar a passos largos para o âmago daquelas vidas quietas.

A mudança - diziam elas - depende da disponibilidade de cada um. Neste caso concreto, receio bem, dependia, sim, da sua disponibilidade financeira e, sobretudo, do seu discernimento.

A maior parte dos visados desprendia-se rapidamente daquela conversa meticulosamente ensaiada. Outros, por vezes, agarravam-se a uma fé já dormente: a fé que crê em tudo e nada questiona: a fé do desespero.

Eu estava sentada num banco de jardim vulgar.

 

InstaStories

 

Talvez por dentro o sol se desdobre, seja parte repartida de si, poeira reluzente, intensidade, contraste e saturação.

Talvez o rio adormeça na margem, a lua seja nova e a maré um pouco cheia. Seja o pão a entrar para o forno, o cigarro apagado, a constelação em gravidade.

Talvez o medo assombre o teu descanso, o teu corpo recalcado, a tua mente entresilhada e deambules e bamboleies e voltes ao início da estrada.

Talvez por dentro o pleno seja vazio e disfuncional: irreconhecível como as figuras à mercê do nevoeiro.

Alice

 

Uma noite quente é um turbilhão de sensações. Os lençóis enroscam-se nas pernas esguias e a boca fica seca como a roupa que se estende do avesso perante o sol.

Ao primeiro feixe de luz, que penetre transversalmente a persiana mal corrida, a Alice, encolhida numa cama com dossel, emite o som próprio de quem estremunha sem querer.

A preguiça assoma e o alarme retorque. Quando a melodia sardónica ecoa pelo quarto, até então tácito, sente-se uma revolução dentro daquele peito descoberto.

Inicia-se uma luta sem alvos. Prevalece o esqueleto que se dobra e se distende. Permanece o tempo e a noite: os punhos no ar, interstícios de luz na escuridão.

E lá fora: uma superfície de silêncio. E lá dentro: o turbilhão, o turbilhão, o turbilhão.

 

O lugar que há em mim

 

Quem me conhece sabe que preciso de pouco para ser feliz. Penso nisto de cada vez que coloco os pés no areal. Olho para o céu e para a sua sintonia com o mar e a vida parece perfeita. Percorre-me uma onda de boas energias e ali deixam de existir todos os porquês.

Sinto-me verdadeiramente em paz. Sinto-me viva!

Este ano, as oportunidades de pisar o paraíso têm sido muito escassas e a prova disso mesmo é que a minha época balnear só abriu oficialmente no passado dia 15 de Agosto: feriado e dia santo, precisamente. E, de facto, aconteceu um milagre.

 

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