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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Dr. Google

 

As novas tecnologias vieram revolucionar a nossa forma de estar na vida.

Tenho-me vindo a aperceber de como estas ferramentas têm impacto no nosso quotidiano e influenciam as escolhas e os hábitos que adotamos e, a verdade é que, hoje em dia, escrevendo as palavras certas no motor de busca, temos acesso a um sem fim de informação que nem sempre corresponde à verdade.

A Internet pode ser vista como um refúgio ao qual a maioria dos cidadãos recorre para resolver quaisquer problemas. Quando as pessoas estão doentes ou detetam algum sintoma minimamente suspeito, o primeiro aconselhamento que procuram é do Dr. Google. As suas consultas são gratuitas, rápidas e apresentam uma lista completa, na qual consta um diagnóstico e as possíveis causas, sintomas e tratamentos da respetiva “sentença”.

 

A informação difunde-se e dissemina o medo ou, por outro lado, adia as consultas que deviam ser marcadas e os exames que deviam ser feitos. O que é preocupante!

E porque é que isto acontece?! Será que os utentes não confiam nos profissionais de saúde? Como é que alguém se deixa guiar por algo tão supérfluo?

Talvez, os serviços de saúde apresentem diversas lacunas. Talvez as pessoas estejam fartas de não saber o que é melhor para a sua saúde porque, neste aspeto, as opiniões nunca são consensuais. Talvez as listas de espera sejam exasperantes! E... Talvez, muitas pessoas já tenham sofrido muito por um mau diagnóstico ou ouvido falar do que poderia ter acontecido se algumas patologias fossem corretamente identificadas quando se encontravam ainda num estádio inicial.

Mas, é importante que percebamos uma coisa: os profissionais de saúde são seres humanos, não são donos da razão! Como todos nós, têm diferentes pontos de vista que vão de encontro à sua personalidade e que satisfazem também os princípios básicos que cimentaram a sua educação. Têm aborrecimentos pessoais e o “direito” natural de errar!

Por muito que nos custe e que seja inconcebível, ninguém é perfeito e ter a saúde de outras pessoas “nas mãos” é uma enorme responsabilidade que requer uma grande segurança e autoconfiança no trabalho que se exerce.

Não obstante, como em todos os setores, existem, naturalmente, bons e maus profissionais de saúde. Os que são felizes no seu trabalho e os que acordam frustrados por saberem o que os espera.

Na minha opinião, a área da saúde exige uma grande capacidade para lidar com as outras pessoas e para saber compreender as suas fragilidades. A componente humana é fundamental e muitas vezes, lamentavelmente, descurada, o que leva a que as pessoas procurem soluções alternativas por não se sentirem apoiadas, por terem a perfeita noção de que são apenas só mais um utente em um milhão.

Todavia, apesar de compreender essa perspetiva, de saber o que é recear um diagnóstico ou como é ser tratado de um modo execrável em plenas urgências, sei que esse não é o caminho a seguir e defendo que se devem adotar mecanismos que permitam combater esta tendência.

O uso de suplementos alimentares e a obsessão pelos produtos naturais provém de uma automedicação que é potenciada por diversos fatores. O acompanhamento dos pacientes não se centra nos seus estilos de vida e, estes, ao não serem conhecidos podem nomeadamente prejudicar a terapêutica. Porque não, nem tudo o que é natural é bom para a nossa saúde! Existem produtos naturais altamente tóxicos e prejudiciais ao bom funcionamento do nosso organismo.

Algumas infusões apresentam grandes interações com os medicamentos que tomamos, nomeadamente o caso do hipericão, entre muitos outros. No entanto, aparentemente, esta planta é inofensiva e é assim que vemos até as ervas daninhas presentes no nosso jardim. Foi, aliás, a partir de uma publicação que me enviaram sobre os benefícios das mesmas, que decidi escrever este post! Um site duvidoso, uma pessoa desesperada em busca de soluções ou, por outras palavras, a mistura explosiva e a combinação perfeita!

Tudo isto me fez refletir sobre o impacto da publicidade a diversos produtos na automedicação e, a verdade é que, todos os dias, somos bombardeados com uma nova fórmula revolucionária que nos permitirá emagrecer rapidamente e, infelizmente, estes estímulos estão ao alcance de todos!

Hoje em dia, qualquer pessoa pode encontrar diversos suplementos alimentares à venda nos hipermercados. E o que me espanta?! As entidades responsáveis que assistem impávidas e serenas à comercialização de produtos que nos podem prejudicar.

Os rótulos dizem maravilhas e tudo aquilo parece fazer sentido para nós, mas será que estamos a respeitar realmente o nosso corpo?! Em que é que devemos acreditar afinal?!

Não sei responder a essa pergunta, mas sei que a informação contraditória e em demasia que por aí circula tem promovido muitas disfunções hormonais e muitos problemas que podiam ser evitados. É por isso que é importante saber filtrar aquilo que lemos e pomos em prática na nossa vida.

Afinal, cuidar de nós depende apenas de nós!

Nós é que temos de ter a preocupação em adotar um estilo de vida saudável, selecionando os alimentos que ingerimos e os ambientes que frequentamos, porém, na minha opinião, deviam ser tomadas medidas para proteger a nossa saúde e para educar as pessoas no sentido de poderem conhecer, com bases fidedignas, as opções que proporcionarão uma melhor qualidade de vida.

Que tal apostarmos na prevenção?!

As evidências científicas não são temas estanques! Temos evoluído muito num curto espaço de tempo e é isso que muitas vezes nos confunde.

O que hoje é certo, amanha pode não ser!

Mas, será que a população está preparada para receber as constantes reviravoltas que a ciência nos faz chegar?!

Fica a dúvida no ar e o futuro que está por vir!

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