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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

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"Eh, toiro!"

 

As touradas estão de volta à TVI, regressando à estação cinco anos depois da sua última transmissão.

Esta notícia está a incendiar as redes sociais e a gerar uma onda de indignação naqueles que defendem os direitos dos animais mais do que qualquer tradição. A revolta surge na sequência do anúncio que o canal tem vindo a publicitar, referindo-se à comemoração dos 125 anos do Campo Pequeno a decorrer no próximo dia 18 de Agosto.

Após uma breve consulta da página oficial da TVI, verifiquei que o evento consta na grelha de programação do canal generalista, o que significa que na próxima sexta-feira vamos assistir a um retrocesso na luta pelos direitos dos animais.

 

Confesso que já assisti uma ou duas vezes a touradas quando era mais nova. Não me fazia muita confusão, na altura, porque eu não percebia, de facto, o que estes espetáculos de tauromaquia implicavam. No entanto, mais tarde, comecei a focar-me no essencial: o sofrimento do animal e o uso do touro para divertir os demais.

Percebi que era anti natura alguém ser capaz de pagar para assistir a algo tão cruel e tudo aquilo deixou de ter sentido algum, passando a ser completamente abominável, tendo em conta os meus princípios e aquilo que considero ser mais correto.

Para mim, é incompreensível como ainda se permite a realização de eventos deste género quando leis que visam a proteção dos animais e dos seus direitos têm vindo a ser promulgadas. É paradoxal verificar estes dois lados, tão distintos e é a prova de que ainda nos falta muita coragem para romper com tais tradições macabras.

Igualmente pesaroso é ver que para além da RTP1, uma estação pública, também a TVI volta a abrir as suas portas a iniciativas “culturais” deste tipo, o que, apesar de ser censurável, acaba por ser “compreensível”, já que, segundo os dados estatísticos divulgados, as touradas continuam a originar boas audiências sendo, muitas vezes, lideres no horário em que são transmitidas.

É por esse motivo que considero que o trabalho que temos a desenvolver deve começar na formação da nossa sociedade porque existem, de facto, pessoas que ainda se divertem, ainda encontram prazer em assistir a estas lutas tão desiguais onde se idolatra a cobardia.

Há pessoas que ainda gostam de assistir à humilhação e ao espezinhar de um ser indefeso, atiram flores aos cavaleiros, cobiçam a beleza das bandarilhas e roem as unhas a cada pega, rezando para que os forcados não se magoem.

E nenhuma dessas orações é direcionada para o sofrimento e para a tortura que o touro sofre como preparação para a sua morte.

Talvez porque ninguém assiste a esse momento, apesar de todos terem a consciência de que ele vai ocorrer. Talvez porque todos se impressionam quando veem sangue, mas não aquele que jorra dos golpes desferidos, intencionalmente e sem motivo aparente, por um ser humano: um ser supostamente racional.

Enquanto assim for, infelizmente as trompetes continuarão a soar junto dos cornetins. E das bancadas: gritos de incentivo, resquícios de uma dignidade encandeada, mais cega do que os olhos dos touros toldados por quem, muito mais desnorteado, lhes priva os sentidos.

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