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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

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Equinócio

 

O outono traz-te a vida embrulhada.

Aos poucos, a luz vibrante vai-se dissecando e os tons amenos tecem dias menores.

Anoitecem as mantas no sofá e vem o frio sem corrente trespassar o corpo vigilante.

Sentes uma simbiose sem precedentes, as cores místicas do tempo e os sonhos a pernoitar.

O cheiro da castanha assada relembra-te o último arraial de verão. Inalas. Soube a pouco como a pouco sempre sabe mais uma primavera. Não há estações que não abram caminho ao misantropismo. As folhas caducas languidescem e a rotina surge entremeada.

 

O outono é uma menção a este carrossel onde, por entre os pingos da chuva, se enviesam raios de sol. É o frio ardente e o calor glacial. Calar e ouvir, em catadupa, o borbulhar dos pensamentos. É o tempo ameno: a monotonia que, num ápice, te surpreende.

Eu ainda não estou no outono, mas já o sinto em mim: em cada dupla face e na individualidade de cada artifício à minha volta.

Eu completo outonos e nunca primaveras porque sou o produto do que em mim floresceu. Já fui flor, agora sou só eu. Ciente de como pode ser grande ser tão pequeno.

A vida recomeça quando cais!

Olhas para o chão e para o vazio e depois para o futuro. Amadureces e ficas velho: és só sumo: a polpa valiosa de onde surge o retomo. Equinócio em desalinho e a lua sempre nova a chamar por ti. A dar-te o céu, noite cerrada, a dar-te as rédeas da vida de mão beijada.

 

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