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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

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Isto do Natal

 

Quando pensamos no Natal viajamos para um lugar bem diferente.

Geralmente, esta é uma quadra que representa algo muito especial para cada um de nós: uma mistura de sentimentos únicos e um conjunto de valores que assumem proporções distintas, consoante a personalidade de quem os experiencia.

À medida que os anos vão passando, o próprio conceito vai sofrendo alterações, como uma mutação em resposta ao nosso desenvolvimento intelectual. Desmistificam-se inúmeras crenças e a importância de alguns costumes é questionada, até que aquilo que assumia particular relevância passa a ser algo insignificante.

 

Tradicionalmente, o Natal é uma festa religiosa que celebra o nascimento do menino Jesus: o Messias que vem para nos salvar.

Todavia, nos dias que correm, poucas são as pessoas que associam a Natividade ao espírito natalício e, a verdade é que, ao longo do tempo, a simplicidade se tem vindo a substitui por ideais que assentam em princípios supérfluos no seio de uma sociedade extremamente consumista e ansiosa.

O ritmo alucinante das nossas vidas vai-nos toldando os olhos, retirando-nos a capacidade de contestar a conduta da nossa própria existência.

E, de repente, fazemos da preparação do Natal um pesadelo e, da corrida às lojas, um compromisso inadiável. Aborrece-nos não ter o presente certo, o dinheiro preciso ou a paciência necessária. Somos bombardeados constantemente com publicidades, sorteios e campanhas de natal e, no fim, tudo se resume à passagem de dois dias na presença daqueles que mais amamos.

E o que será preciso mais? O que nos fará mais falta? 

Eu só queria no meu sapatinho um pouco de amor, de saúde, de paz e luz e da atenção merecida. Só queria tempo para desembrulhar todos os momentos da vida, só queria sonhos e oportunidades de realização.

Só queria poder ostentar a felicidade de um reencontro, um instante na companhia dos anjos que habitam o meu céu... Mas isso, eu não posso! E será pedir muito?

O Natal é bonito porque existe uma magia no ar que nos aquece…

É um dos sonhos que se torna realidade nas nossas vidas porque em nenhuma outra ocasião a família se junta desta forma. Em nenhuma outra época a lareira nos alumia e o frio nos faz arrepiar por nos sentirmos nus: despidos da maldade, dos problemas e das aparências. Em nenhum outro mês fingimos sentir que está tudo bem no mundo: que não há fome nem guerra. Que não há sofrimento nem injustiça.

No Natal a música comove-nos e as luzes que piscam assinalam-nos o caminho. Tudo se resume a um cachecol e a um chocolate quente. A um sorriso e a uma mão que se estende.

Mas, o que será o Natal para quem vive só e se sente perdido por entre mares de povo? Para os que vivem num lar sem telha ou para os que, à mesa, não se esquecem dos lugares vazios que a morte levou?

O Natal é tanto e tão pouco…

É uma centelha de esperança e um rasgo de saudade. És tu e o que tens dentro de ti: Natal…

Natal é ser verdade sem ser conceito. É ser humano. É ser, em cada vida, um ponto de luz.

 

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