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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

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No dia em que decidi parar o tempo

No dia em que decidi parar o tempo descobri os parques e o cheiro a terra molhada; bebi um café quente e embaciei o vidro da janela.

Soube logo que a perfeição era uma névoa parecida com a neblina da manhã, que, por vezes, o sol encandeava e que a chuva germinava a terra.

Nesse dia. O dia em que decidi parar o tempo.

Desci a rua sem pressa, respirando cada pedaço de existência remanescente. Os olhos presos no infinito. Passar por tudo, sentir tudo e não ver nada.

Caminhar.

 

Cabiam nas minhas mãos os segredos do fundo do mar, as flores de todos os canteiros, as vozes de todas as canções, mas não cabia o tempo.

E à volta a cidade iluminada: uma ventania.

Não tinha horas nem questões, somente um corpo frio e solitário feito de fazenda e sem costura.

“Não é assim, vô! Vou-te ganhar!” Voz perpétua e franzina.

Um banco, um jardim e um amor sem denominações. Um sentimento incerto de tão maior, como aquela bola verde e insuflável: tão confortável ao deixar-se ir: a leveza, a esperança…

Tantas palavras num só silêncio. Quanta vida!

Um avô. Uma neta. O dia em que decidi parar o tempo.

Por entre os dedos escapava-me a infância prometida, os joelhos escoriados, a pele macia e rosada. Não houve presente naquele passado de dias seguintes e eu corri tanto. Eu que corri tanto, tanto! Nunca ganhei o jogo, mas fui feliz... No dia em que decidi para o tempo.

 

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