Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

O Ensino Superior e a minha visão do MICF

 

Todos os anos, centenas de jovens se deparam com um dos primeiros grandes dilemas das suas vidas: a escolha de um curso superior.

Para alguns, esta decisão há muito que está tomada, no entanto, para a maioria dos estudantes tais certezas não existem. Por vezes, as médias dos últimos colocados nos anos transatos superam aquelas que os visados conseguiram com o seu esforço e dedicação e quando, os mesmos, constatam que uma única centésima pode ditar a concretização ou não de um objetivo para o qual tanto trabalharam, ficam naturalmente sem saber o que fazer ou como lidar com a situação.

Por outro lado, mesmo quando a média não é um entrave, a implicância que uma escolha desta natureza terá no futuro da pessoa em questão é suficiente para que a mesma duvide do rumo que deve ou não seguir.

 

A minha experiência

 

Hoje, decidi fazer este post para te falar na qualidade de estudante do ensino superior, alguém que já passou por todo esse turbilhão de sensações e que nem sempre soube lidar com elas da melhor forma.

A verdade é que, quando me vi confrontada com esta realidade, as minhas incertezas começaram a multiplicar-se dia após dia, o que fez com que em 2015 passasse a maior parte do verão em frente a um computador a fazer pesquisas e a recolher opiniões.

Sempre fui uma pessoa muito ponderada e com alguma dificuldade em tomar grandes decisões e isso fez com que hesitasse vezes sem conta e, consequentemente, adiasse a realização da candidatura até ao fim dos prazos estabelecidos pela DGES.

As minhas indecisões não se prendiam somente com a escolha de um ou outro curso, mas sim, em primeira instância, com a seleção de uma área profissional em detrimento de outra. Letras ou saúde? Qual delas me garantiria um futuro profissional risonho e bem-sucedido?

Pois…

Ninguém me podia responder a esta questão nem assegurar que aquilo que eu estava a idealizar sobre determinado curso corresponderia, efetivamente, às minhas expectativas. Contudo, quando me manifestava sobre este assunto, sentia também uma certa incredulidade por parte das outras pessoas que poderia ser confundida com a sua incompreensão relativamente ao tema. Por vezes, acredito que existe um certo mito em relação aos alunos que se interessam, de igual modo, por Matemática e Português. E esse foi o meu caso e é o caso de cada vez mais alunos.

Antigamente, - disse-me uma professora de quem guardo as melhores recordações - os alunos eram apenas vocacionados para uma área e apenas bons nessa mesma área. Hoje, por sua vez, encontram-se cada vez mais jovens com uma versatilidade incrível, capazes de conciliar diversas atividades extracurriculares com o ritmo alucinante das aulas e que são, de igual modo, competentes nas tarefas a que se dedicam.

Eu não podia concordar mais com esta teoria. É engraçado constatar como as gerações vão evoluindo ao longo dos tempos, com tudo o que isso tem de bom e de mau. E é por verificar esta polivalência que acredito que, no fundo, não temos de escolher nem optar por fazer uma só coisa quando encontramos prazer em algo completamente diferente.

E foi assim, com esta convicção, que parti à descoberta do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas. Prometi a mim mesma que continuaria a escrever e a explorar aquilo que me faz feliz. Mas, embora tenha tranquilizado o meu subconsciente com esse desejo, rapidamente me apercebi de que a decisão não foi fácil, já que ainda hoje me questiono sobre a mesma.

O curso em si é bastante exigente e nem sempre me faz sentir feliz e realizada como eu gostaria que fizesse. Cheguei a reconsiderar esta opção muitas vezes, mas fui ficando. Hoje tenho a certeza de que ficarei até ao fim, mesmo que o ritmo que nos é exigido me deixe desmotivada e me faça querer desistir. Ir para a faculdade requer muita força de vontade e uma personalidade algo vincada. Não é o mar de rosas que muitos pintam, mas, ainda assim, o prato positivo da balança assume um maior peso. Tenho vivido momentos inesquecíveis e conhecido pessoas com as quais realmente me identifico, que me apoiam incondicionalmente e que tornam tudo mais leve. Apesar de tudo, esta caminhada tem feito sentido e isso deve-se ao facto de nunca me sentir sozinha e de haver entre nós, colegas e amigos de curso, um espírito forte de entreajuda.

 

Os meus conselhos

 

“Mente aberta” foi um dos conselhos que mais ouvi e é o que agora tenho para te dar. Não te feches para as oportunidades que te são proporcionadas, não te conformes com tudo aquilo que te é dito nem faças nada que vá contra aquilo em que acreditas. Sê como és e conquista o teu espaço. Descobre as coisas por ti e não deixes que as ideias preconcebidas te privem de viver a tua vida académica. Cada estabelecimento de ensino é diferente, as pessoas são diferentes e os contextos são igualmente díspares.

Serás tu o futuro do curso que representas. Tens as ferramentas necessárias para mudares e reinventares o que for necessário, porque com o tempo vais aprender a fazer parte desta nova realidade e vais descobrir em ti facetas que, até então, desconhecias. Há lugar para todos, só tens de encontrar o teu no decorrer deste grande processo de crescimento.

Não tenhas medo!

 

O Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

 

Relativamente ao mestrado que frequento, se tencionas vir a ser um futuro colega posso dizer-te que este curso apresenta um vasto leque de saídas profissionais entre as quais (a nível da atividade farmacêutica): Farmácia Hospitalar, Indústria Farmacêutica, Distribuição Farmacêutica e a mais comum Farmácia Comunitária.

Por outro lado, é também possível enveredar pelo caminho das Análises Clínicas, Microbiológicas, Hidrológicas, Toxicológicas e Agroalimentares, uma vez que o plano oficial deste curso abrange diversas componentes químico-biológicas.

Quanto ao percurso académico, posso dizer-te que, pela minha experiencia, os dois primeiros anos são os que talvez te podem desmotivar mais. As unidades curriculares não são muito direcionadas para a atuação do profissional farmacêutico porque são as bases de que precisas para cimentar o conhecimento que adquirirás posteriormente. Assim sendo, estes anos têm por base disciplinas como química orgânica e inorgânica, física aplicada, biologia celular, matemática e bioestatística, genética, bioquímica, entre muitas outras, que são comuns a praticamente todos os cursos da área da saúde, ao contrário dos três anos seguintes nos quais as cadeiras são mais especializadas.

Aquilo que distingue um profissional de farmácia dos outros profissionais de saúde é talvez o facto de quase todas as unidades curriculares contarem com uma componente laboratorial, o que nos permite adquirir competências técnicas. Estas são aulas obrigatórias, ao contrário da maior parte das teóricas, e requerem uma preparação e um estudo diários. Pessoalmente, esta é a parte que mais me cativa, uma vez que possibilita a aplicação da componente teórica e a sua melhor compreensão.

 

O mercado de trabalho

 

Sobre a entrada no mercado de trabalho confesso que essa realidade ainda me assusta um bocadinho. Não tarda muito apercebes-te de que o tempo passou a correr e de que os 5 anos que, ao início pareciam intermináveis, passam num instante.

Acredito, todavia, que nos dias que correm não basta ser-se licenciado. As empresas dão cada vez mais importância às competências pessoais dos candidatos, àquilo que não consta no plano curricular e que é conhecido como as “soft-skills”. Este será o fator de distinção entre duas pessoas com a mesma formação académica e é por isso que considero importante que invistas na tua formação. Procura estágios, workshops, congressos e atividades que sejam do teu interesse. Parte à descoberta e retira de cada experiência o melhor que ela tem para te oferecer. Não queiras apenas certificados para colocar no currículo, certifica-te sim de que cada experiência te enriquece.

Tenho a certeza que, se fores de encontro àquilo que te faz feliz, colecionarás bons momentos e serás bem-sucedido(a).

 

Boa sorte para esta nova etapa!

12 comentários

Comentar post