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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

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O lugar que há em mim

 

Quem me conhece sabe que preciso de pouco para ser feliz. Penso nisto de cada vez que coloco os pés no areal. Olho para o céu e para a sua sintonia com o mar e a vida parece perfeita. Percorre-me uma onda de boas energias e ali deixam de existir todos os porquês.

Sinto-me verdadeiramente em paz. Sinto-me viva!

Este ano, as oportunidades de pisar o paraíso têm sido muito escassas e a prova disso mesmo é que a minha época balnear só abriu oficialmente no passado dia 15 de Agosto: feriado e dia santo, precisamente. E, de facto, aconteceu um milagre.

Acordei bem cedo, vesti-me e fui à varanda. Aquilo que mais agoirava estendia-se diante de mim: um nevoeiro frio, denso e opaco.

Maldisse todos os astros pelo desalinho, enquanto apertava o cinto de segurança. Parti, convicta da má sorte, na expectativa de avistar a corda bamba, a interface entre o céu e a terra, a linha que separa a realidade dos sonhos.

Chegámos duas horas depois, seguros de que o estado do tempo seria promissor a um escaldão, caso não nos protegêssemos devidamente e, contentes da vida, pousamos as trouxas. Enterramos o guarda-sol e marcámos um lugar em lugar nenhum. Partimos de encontro ao mar, às rochas erodidas, aos moluscos inconscientes, ao sítio onde não cabem as palavras.

Era salgado! Pude sentir o sal penetrar nas minhas feridas enquanto as reavivava. Senti a cura como se despojasse de mim todo o cansaço e me desfizesse em inocência. A simplicidade de tudo. Um longe do mundo, muito perto.

E vi o sol e o calor. Mais pegadas no terreno ensopado e curiosidade de um vazio repleto: uma fonte de neologismos insaciáveis. E as pernas quentes, onde se emaranham as algas e se estimulam os sentidos…

Fui caminhando, inebriada… Cheguei ao destino e viajei por lugar nenhum. O sol escorregou, dividindo-se em diferentes cores da mesma paleta. O dia anunciou o fim e eu despedi-me: da praia e daquele lugar: o lugar que há em mim.

 

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