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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

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O meu primeiro estágio

 

Durante estas férias de verão realizei o meu primeiro estágio extracurricular. Nesta minha primeira experiência fui conhecer um pouco mais sobre uma das saídas profissionais do meu curso, pela qual manifesto particular interesse: farmácia hospitalar.

As expectativas eram muitas, assim como, o receio de não estar preparada para superar este desafio.

Acabei por ficar colocada num hospital, com relativamente poucos serviços, mas no qual pude perceber como tudo funciona. O primeiro dia foi, como esperava, o mais complicado. Tudo era novo, não tinha experiência nenhuma e estava um pouco ansiosa em relação à minha adaptação.

 

A responsável pelos Serviços Farmacêuticos começou por me apresentar a farmácia, dando-me a conhecer os locais onde são armazenadas as diferentes formas farmacêuticas e informando-me também acerca do fim terapêutico da generalidade dos medicamentos, dispostos por ordem alfabética de princípio ativo.

Conheci, posteriormente, os restantes profissionais com os quais aprendi imenso durante os dez dias de estágio e comecei, de seguida, a reembalar os primeiros comprimidos: um procedimento que se tornou diário.

Aos poucos, fui ficando mais à vontade e percebi, desde logo, que tinha tido muita sorte por ter começado esta minha prática junto daquelas pessoas. Senti um grande apoio por parte de todos: uma simpatia e um sentido de humor ímpares, dos quais sinto realmente saudades. Os dias não custavam a passar e levantar-me de manhã não era um problema.

Aprendi todos os dias algo novo. Recebi muitas encomendas e ajudei a compor outras. À medida que fui adquirindo mais competências, comecei a desempenhar outras funções como, por exemplo, a preparação da medicação para cada paciente internado naquela unidade hospitalar. Fiquei também com uma ligeira noção das funcionalidades do sistema informático e de como se faz a gestão do stock da farmácia: algo talvez mais complexo do que imaginava.

O tempo ia passando e aquela rotina começou a apaixonar-me mais do que eu pensei, inicialmente, ser possível.

Ainda assim, custou-me muito testemunhar o estado de algumas pessoas: as alucinações, as mobilidades reduzidas... Lá em baixo, parecia tudo simples: medicamentos dispostos numa gaveta identificada com um nome, uma idade e o número da enfermaria e da respetiva cama, mas eu sabia que não era assim. Havia alguém por detrás daquela etiqueta com uma história a sofrer, a ansiar por uma cura, a ver o mesmo cenário dia após dia. E isso mexia comigo de cada vez que subia àqueles pisos, de cada vez que me lembrava da importância da saúde nas nossas vidas e de como a interação entre os diferentes profissionais de saúde podia contribuir para um melhor acompanhamento aos utentes.

Foi uma experiência muito enriquecedora e que tenciono, na medida do possível, repetir. Estar em contacto com a realidade da nossa futura profissão permite-nos ter outra noção daquilo que realmente queremos e fornece-nos conhecimentos que as aulas teóricas e laboratoriais não são capazes de nos transmitir. As circunstâncias são outras e a verdade é que acabamos sempre por crescer não só a nível profissional, como também a nível pessoal.

“Antes de ser um bom profissional, seja um bom ser humano”. Eu acredito que é esse o caminho e fico muito feliz por ter feito parte de uma equipa, na qual testemunhei uma grande generosidade e um espírito incrível de entreajuda.

Os bons-exemplos são sempre recordados com carinho e é com carinho que guardo mais uma etapa que marcou positivamente a minha vida!

 

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