Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Sonho Eterno

 

Quando me lembro de mim vejo o carvão aguçado das memórias baças: a lâmina fina, o sujo impregnado na fragilidade de traços imprecisos, a mistura de um horizonte distante e completo.

Não me lembro bem do toque dessas palavras amargas porque escorre em mim uma inquietude, uma vida alheia não promissora.

Às vezes, vejo o rodopio destes dias, olho à volta e tudo se assemelha ao que deixei passar.

A vida corre pelo riacho da precaução e nós desaguamos lentamente na solidão que nos entrelaça.

 

Para nós é noite, noite cerrada. O sol acabara de gritar pela lua, as costas estalam, os pés arrefecem e pequenas sentinelas celestiais acompanham os suspiros reluzentes.

Escavou-se em mim a lembrança das noites infravermelhas: a pureza de uma radiação assertiva: era eu e o aroma doce dos morangos colhidos de véspera junto às toranjas maduras, já me lembro! 

Lembro-me como se a vida fosse apenas dois dias e uma gota de mel, mas depois perco-me no resto.

E o resto cada sinal levou. 

Bocejo? A neblina trespassa-me! Os sentidos baixam a guarda, reviro os olhos.

Falta pouco para me esquecer de tudo e aprender a morrer.

Fecham-se lentamente as pálpebras, os ombros descontraem, as pernas encolhem-se em malabarismos primitivos e, por fim, queremos sonhar.

Talvez a morte seja o sonho eterno: o sonho que começa e nunca acaba, como as teorias...

8 comentários

Comentar post