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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Venham daí essas uvas passas!

 

Nos últimos dias, as redes sociais em geral e a blogosfera em particular têm sido inundados pelos típicos "balanços do ano".

Sobre 2017, que hoje termina, escrevem-se as mais diversas publicações quer sobre as figuras do ano, os acontecimentos do ano ou mesmo os divórcios do ano. Na verdade, parece que todas as temáticas, mesmo as mais inusitadas, servem como um bom clickbait, numa altura em que surge também na vida da maioria dos astrólogos uma nova oportunidade de expansão das suas carreiras.

Hoje, no último dia do ano, também eu faço a minha retrospetiva, penso no que fiz em cada mês, no que conquistei e no tanto que ainda tenho para melhorar. Todavia, não reflito apenas hoje porque as minhas ambições não se regem pelas doze badaladas ou por mais uma volta completa da Terra em torno do Sol.

 

No dia em que decidi parar o tempo

No dia em que decidi parar o tempo descobri os parques e o cheiro a terra molhada; bebi um café quente e embaciei o vidro da janela.

Soube logo que a perfeição era uma névoa parecida com a neblina da manhã, que, por vezes, o sol encandeava e que a chuva germinava a terra.

Nesse dia. O dia em que decidi parar o tempo.

Desci a rua sem pressa, respirando cada pedaço de existência remanescente. Os olhos presos no infinito. Passar por tudo, sentir tudo e não ver nada.

Caminhar.

 

 

Perdão

 

          - Um centavo pelos teus pensamentos.

A voz amena surgiu acompanhada pelo toque leve de uma mão que agora pousava, subtilmente, sobre os ombros justos da loira de olhos cor de mel.

O homem alto torneou as linhas do banco de jardim e sentou-se junto daquela figura misteriosa, envolta em vidas passadas e premonições futuras.

Estava escuro e reluziam ao longe pequenas fachadas de néon. O ar abafado enfatizava o cheiro nauseabundo da massa das farturas imersa em óleo vegetal e, de frente para o lago iluminado pela alvura da lua cheia, dilaceravam-se uns olhos paulatinamente.

Os suspiros tornavam-se audíveis, iam de encontro ao peito do recém-chegado como passarinhos extraviados em busca de uma asa afeita que os protegesse.