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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Falácia

 

Às vezes, olho para mim de lado.

Como um estranho que julga conhecer o turbilhão de pensamentos que, em passos largos, se dissolvem por entre rotinas cruzadas e transeuntes incomuns.

Às vezes, até sinto que o que sou é pouco meu porque me é estranha aquela sensação de estranheza.

E julgo, perante os dedos que se tocam, ser pouco mais do que uma defesa contra cada fragmento estilhaçado na penumbra: pedaços de sonho hipotéticos: utopias de banda larga.

Estou tão fora como dentro, desmembrada da fisiologia sem querer ir nem querer voltar.

E somam-se os dias: um valor absoluto e pesado do que perdi por não saber o que querer ganhar.

Tanta vida no Inverno. Tantas ondas e um mar inerte. Como eu...

Sem condições nem metafísica. Sem futuro nem presente.

Um eu doente. Da alma. Do soro que escorre em desalinho. Autoimunidade. Pelo cansaço escrito em prosa e a vida entoada em hino.

Cartógrafa

 

O cheiro da terra molhada apoderava-se de todos os meus sentidos à medida que, cuidadosamente, descia a colina através de um carreirinho estreitamente bem desenhado, delimitado por marcos de pedra minuciosamente recortados pelo vento.

As nuvens moviam-se devagar e o meu cabelo unia-se por pequenas gotículas de um orvalho praticamente extinto.

Tinha uma mochila a cobrir-me as costas e uma vara de madeira robusta a acompanhar-me as passadas. Um mapa entrelaçado nos dedos e uma adrenalina aprazível a despontar pelo ventre.  

Era o mundo em vista por descobrir, o realizar do maior de todos os projetos: cartografar-me!
De olhos erguidos e corpo firme, segui o meu caminho sem destino: até onde o coração quisesse levar os pés, até onde os pés quisessem levar a alma.

E deixei de ter medo.