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Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Pill of Words

Blog não sujeito a receita médica.

Rescaldo de um mês em stand-by

 

Janeiro é um mês de incertezas e de sentimentos mistos. Se, por um lado, queremos iniciar o plano que traçamos para a nossa vida nos últimos dias do ano anterior, por outro, acabamos por nos aperceber de que, inevitavelmente, muitos dos nossos objetivos acabarão por ficar numa folha de papel, esquecida algures no fundo da gaveta.

Nos primeiros dias, do primeiro de doze capítulos, perdoamos os nossos desleixes alimentares e a preguiça que existe relativamente à prática de exercício físico. As metas começam, assim, a ser encostadas para um canto e nós vamos continuando a viver da mesma forma conformista e rotineira, tal como fazíamos até então. A verdade é que, mal o ano começa, percebemos que, se calhar, a febre da mudança se está a desvanecer e com ela a nossa vontade de sorrir, todos os dias, para o mundo. Voltamos a constatar que, de vez em quando, chove e que não podemos escapar aos dias cinzentos.

Para a generalidade dos estudantes do Ensino Superior este mês é também sinónimo de abdicação. A “vida” fica praticamente em stand-by e é hora de colocar um travão nos almoços demorados de família, nas saídas com os amigos, nas idas ao cinema ou nos serões na companhia de uma boa música ou de um livro do nosso interesse.

 

 

Sem Abrigo

 

Tens as roupas sujas e gastas, o cabelo grisalho sem forma ou arrumo, a mão esticada sem convicção.

Há dias que te cortaram a água. Dizem que setembro foi um mês quente e outubro lá lhe vai seguindo os passos, prolongando tal proeza.

Para ti, tanto faz...

Gostas pouco de seguir as tendências: és irreverente! Crias a tua própria moda e, às vezes, como ela, és o último grito: aquele que a madrugada abafa e que as tuas próprias forças não projetam. As olheiras não te incomodam. Aliás, sempre tiveste um fraquinho por olhos esbugalhados, repletos de traços promíscuos.

E de cheiros? Ah, ninguém percebe tanto como tu! Desde que descobriste esta nova forma de viver que não largas o teu novo perfume por nada. Encontraste, finalmente, um que se adequa à tua verdadeira essência, criado a partir dos extratos de dias e dias e noites sem luar: a doce fragrância que revela os traços da tua personalidade e a convicção com que acordas todos os dias à beira de um pedaço de cartão, dos que, outrora, fizeram parte dos caixotes descartáveis de que as pessoas se desfazem a torto e a direito.